13 livros publicados por mulheres em 2018

Uma seleção de carona nas campanhas #DêLivrosDePresente e #AmorAosLivros

19.12.2018  |  Por: Gaia Passarelli

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13 livros publicados por mulheres em 2018

Assinantes da newsletter da editora Companhia das Letras, uma das maiores e mais relevantes do país, receberam em fins de novembro um email chamado “Carta de Amor aos Livros”. Assinado pelo editor chefe da editora, Luiz Schwarcz, trazia uma breve explicação da profunda crise que o setor editorial vive hoje. Você pode ler aqui.

Intervalo: é claro que falar profundamente sobre isso requer mais do que um e-mail e também mais de um ponto de vista. Quem quiser entender um pouco o cenário recomendo duas leituras: essa análise da jornalista Jéssica Ferrara e essa coluna do também editor Daniel Lameira.

Mas voltando ao assunto, no e-mail Schwarcz chama a atenção para uma necessidade imediata de se consumir mais livros. É um e-mail bonito e com jeito de sincero, ainda que jogue nas costas do consumidor uma responsabilidade duvidosa. Mas eu, que me orgulho de ter um começo de biblioteca em casa e que embarquei na ideia de votar levando livro para a seção eleitoral, gostei da campanha. A internet gostou também: no mesmo dia duas hashtags subiram no país Twitter: DêLivrosDePresente e AmorAosLivros.

Pensando nisso, e inspirada pelas sugestões da minha bolha, deixo aqui sugestões de bons, ótimos, excelentes livros escritos por mulheres e lançados no Brasil em 2018. Deixe suas sugestões nos comentários, aqui ou nas redes.

Os links abaixo são para os sites das editoras, quando possível. Lembre-se de procurar em livrarias pequenas e na Estante Virtual.

 

Garotas Mortas – Selva Almada (Todavia)

A escritora argentina conta três casos diferentes de feminicídio acontecidos em seu país durante os anos 1980. Crimes considerados “menores” numa época de agitação social e retomada da democracia, as histórias levam a autora a uma investigação particular e atípica.

O Corpo Dela e Outras Farras – Carmen Maria Machado (Planeta)

Um Black Mirror feminista, essa seleção mistura gêneros literários e extrapola limites do real para contar histórias sobre as violências a que são submetidos os corpos femininos.

A Parábola do Semeador – Octavia E. Butler (Morro Branco)

É o primeiro volume da série Sementes da Terra, considerada pela New Yorker uma sólida concorrente a “distopia mais aplicável a nossos tempos”. Tem crise ambiental e econômica, caos social e redescoberta da capacidade humana para a fé. Butler é a autora de Kindred e foi a primeira mulher negra norte-americana a conquistar sucesso no gênero da ficção científica.

O que é Empoderamento? – Joice Berth (Letramento)

Parte da coletânea Feminismos Plurais, da filósofa Djamila Ribeiro, o livro de Joice esclarece o significado dessa palavra usada em demasia. Feminismo negro e branco, relações de poder e representatividade política estão na pauta. No link acima leia entrevista com a autora.

Os Contos – Lygia Fagundes Telles (Companhia das Letras)

A exemplo da compilação de contos de Caio Fernando Abreu, lançada pela mesma editora este ano (leia aqui), uma das maiores escritoras do país ganha antologia de sua obra como contista. Traz escritos há tempos fora de catálogo, desde a produção da Lygia jovem até sua produção mais madura.

Todo Mundo Merece Morrer – Clarissa Wolff (Verus/Record)

A blogueira e colunista da Carta Capital lançou em 2018 seu primeiro romance, uma história de crime que tem a Linha Verde do Metrô paulistano como centro nervoso. A leitura não é sempre leve e tem momentos incômodos ao tocar em temas como violência de gênero e racismo.

Tranny: Confissões da Anarquista Mais Infame e Vendida do Punk Rock – Laura Grace Jane (Powerline)

A biografia da vocalista transgênero da banda punk Against Me! trata sobre infância, relações familiares e a vida no inconstante mundo da música enquanto lida com a disforia de gênero. O livro é de 2015 mas foi lançado este ano em português.

Explosão Feminista – Heloisa Buarque de Hollanda (Companhia das Letras)

A professora e historiadora encara a missão de analisar a quarta onda feminista no Brasil, desde 2013 até agora. Buscando definir o que é a quarta onda e quem são as principais personagens e reivindicações do movimento, ela faz um mapa do impacto político, artístico e comportamental do feminismo brasileiro – e ainda entrevista companheiras da onda anterior (que foi a sua).
Afiadas: As Mulheres que Fizeram da Opinião uma Arte – Michele Dean (Todavia)

Mulheres brilhantes que contribuíram para o pensamento intelectual do século XX, Dorothy Parker, Rebecca West, Hannah Arendt, Susan Sontag, Pauline Kael e Joan Didion, entre outras, figuram nessa mistura de biografia com história cultural.

Praia de Manhattan – Jennifer Egan (Intrínseca)

A ganhadora do Prêmio Pulitzer por A Visita Cruel do Tempo visita a Nova Iorque dos anos 1940 numa história de contornos noir envolvendo gângsteres, paranoia da Segunda Guerra e… mergulhadores.

Ritmo Louco – Zadie Smith (Companhia das Letras)

Smith é uma narradora e tanto, com vários prêmios na estante. Ritmo Louco (Swing Time) é seu sétimo romance e conta a história de duas amigas que têm em comum o sapateado, numa história que vai de Nova Iorque a Londres e ao continente africano.

Tudo Pode Ser Roubado – Giovana Madalosso (Todavia)

O meu livro nacional preferido do ano mistura O Guarani, sexo, drogas e crimes com humor ágil e descrições acertadas da vida em São Paulo.

 

EXTRA!!!

 

Brasil, Uma Biografia – Heloisa MAria Murgel e Lilia Schwarcz (Companhia das Letras)

Lançado em 2015 e altamente recomendado para qualquer pessoa que busque entender por que o Brasil é do jeito que é. As autoras usam linguagem ágil e fluente, tiveram acesso a documentos inéditos e realizaram uma pesquisa profunda para fazer a biografia que o Brasil merecia. Não se assuste com o tamanho ou o tema: a leitura flui e você vai entrar 2019 cheia de fatos na cabeça.

P.S.: para 2019 esta humilde colunista deseja que alguma editora publique a obra da Dorothy Parker no Brasil, tá o.k.?

 

Gaía Passarelli é jornalista e escritora, autora de Mas Você Vai Sozinha? (Globo Livros, 2016). Nascida e criada em São Paulo, mora num prédio velho da Bela Vista com o filho, três gatos e uma crescente coleção de guias de viagem. Você a encontra no twitter @gaiapassarelli e no site gaiapassarelli.com

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