Blasfêmea | Quizz: Dez fatos machistas da História (tente adivinhar quando eles ocorreram)

Da adúltera que foi queimada na fogueira à propaganda de preservativos sugerindo que se tire a roupa da mulher sem o consentimento dela, Antonia Pellegrino propõe um teste de conhecimentos surpreendente e revelador

07.05.2018  |  Por: Antonia Pellegrino

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Blasfêmea | Quizz: Dez fatos machistas da História (tente adivinhar quando eles ocorreram)

“Mulher que supostamente cometeu adultério é exorcizada e queimada na fogueira por religiosos.”

Uma mulher de 25 anos foi levada por religiosos para o meio da floresta, onde passou por rituais de exorcismo e depois foi queimada na fogueira para expulsar o demônio de seu corpo pois ela havia desrespeitado o seu marido. Pode parecer uma cena descrita na Idade Média, não é? Como se não fosse terrível o bastante há alguns séculos, este fato aconteceu em 2017 na Nicarágua. Vilma Trujillo, 25, moradora de um vilarejo no país, era uma jovem que levava uma vida normal. Mas no início de 2017 começou a ter alucinações e a falar sozinha. Frequentadora da igreja Visão Celestial, foi levada pelo seu pastor e mantida na igreja por uma semana. Acreditava-se que ela seria “curada através das orações”. Passados alguns dias, religiosos e fieis acreditavam que ela “não estaria curada”, então resolveram “expulsar o demônio que se apossara dela com fogo”. Impedida de fugir, ela foi amarrada numa árvore e queimada viva. Chegou a ser resgatada com vida, mas não resistiu aos ferimentos. Saiba mais: http://www.bbc.com/portuguese/internacional-43220152

Propaganda sugere uma “Dieta do Sexo”, e uma das indicações é: “Retirar a roupa da mulher sem o consentimento dela.”

É chocante, mas essa campanha foi ao ar há apenas três anos! Uma marca de preservativos elaborou uma lista infeliz em que apresenta a incitação ao estupro com uma atividade saudável.

Pela lei, homens e mulheres não gozavam de status legal distinto. Os homens eraM os chefes do casamento e tinham poder sobre a parceira. Essa legislação durou até...

Por incrível que pareça, as mulheres só passaram a ter independência legal de seus parceiros, ao menos na teoria, com a Constituição de 1988. O art.233 do Código Civil de 1916 durou até 30 anos atrás. Vale lembrar também que da Proclamação da Independência até 1962 a mulher sequer poderia exercer profissão fora de casa – sem a permissão do cônjuge – e era considerada relativamente incapaz (art.242, VII, do Código Civil de 1916), sendo legado a elas o trabalho de casa, além de, para as ricas, a caridade e, para as pobres, o mercado informal.

Lei que defende que a maior parte de uma herança seja destinada a homens, em vez de mulheres.

Na terra da Rainha, as tradições machistas não se limitam a alguns protocolos da Realeza. Por lá a Constituição determina que homens tenham direito a uma fatia maior da herança da família que as mulheres.

Um parlamentar defendeu a ideia de que mulheres deveriam ganhar um salário menor do que os homens pelo fato de elas engravidarem.

“Poxa, essa mulher tá com aliança no dedo, daqui a pouco engravida, seis meses de licença-maternidade... Por isso que o cara paga menos para a mulher! É muito fácil eu, que sou empregado, falar que é injusto, que tem que pagar salário igual. [...] Eu sou um liberal, se eu quero empregar você na minha empresa ganhando R$ 2 mil por mês e a Dona Maria ganhando R$ 1,5 mil, se a Dona Maria não quiser ganhar isso, que procure outro emprego! O patrão sou eu.” Esse é um trecho de uma entrevista do Deputado Federal e pré-candidato à Presidência Jair Bolsonaro. Ele fez as declarações ao Jornal Zero Hora em fevereiro de 2015.

Numa propaganda de Natal direcionada às mulheres, uma empresa de artigos domésticos elaborou uma peça que dizia “ESPOSAS, olhem esta propaganda com carinho. Circule os produtos que vocês querem para o Natal. Mostre para o seu marido. Se ele não for à loja imediatamente, chore um pouco. Não chore muito. Um pouco. Ele irá, ele irá.”

Este foi um anúncio da marca norte-americana Dormeyer que circulou na década de 50. Logo abaixo das “instruções” dada às esposas, vinha uma dica para os maridos: “Olhem esta propaganda com carinho. Escolha o que sua esposa deseja. Vá comprar. Antes que ela comece a chorar.”

“Palavras de requebros e amores”, “beijos e abraços”, “toques e afagos”, “erotização de mãos e bocas”, “chupar a língua e enfiá-la na boca do parceiro”, ou ainda “pegar nos peitos ou apalpar as partes prudentes”: uma série de ações sexuais comuns mas que são terminantemente proibidas e vistas como atos próprios de homens e suas amantes.

Documentos das Visitas da Inquisição mostram que a questão da moralidade era uma preocupação primordial dos nossos ancestrais. De forma bem específica, achados comprovam o quão o sexo e a liberdade sexual eram reprimidos e criminalizados. O sexo para a mulher casada era uma mera obrigação formal, enquanto o prazer era reservado às parceiras “não oficiais”. E apesar de terem se passado séculos, ainda hoje vemos julgamentos morais fortes que definem, limitam e marginalizam as mulheres na sociedade. A Idade Média ainda não acabou!

Uma personalidade declarou que um dos benefícios de ser famoso é ter a total poder e liberdade para assediar sexualmente mulheres. “Eu sou automaticamente atraído por mulheres bonitas. Eu apenas começo a beijá-las. É como se fosse um ímã. Apenas beije, eu nem espero… e quando você é famoso, elas deixam você fazer isso. Você pode pegá-las pela buceta. Você pode fazer o que quiser,” afirmou em uma conversa.

Durante a campanha presidencial dos EUA em 2016, dentre os inúmeros absurdos ditos pelo então candidato republicano Donald Trump, aqueles que tiveram maior repercussão foram sem dúvida à forma como ele se referia às mulheres. Uma gravação de uma conversa com o radialista Billy Bush revelou que o magnata abusava de mulheres aproveitando-se de sua situação de poder. Apesar da enorme repercussão global das falas, nada disso impediu que Trump vencesse as eleições e se tornasse o 45º Presidente dos Estados Unidos.

“Chamar uma mulher de galinha é uma ofensa. Coitada da galinha, que vive à disposição do galo, na hora que ele quiser, como uma odalisca num harém”: frase dita por uma grande cantora brasileira conhecida internacionalmente

Pois é, o machismo não é exclusividade dos homens. A frase acima foi dita por um dos nomes radicados no Brasil mais conhecidos do mundo, Carmen Miranda. E apesar de terem se passado décadas, ainda é muito comum vermos mulheres reproduzindo tais discursos, fomentando a rivalidade ilusória que foi disseminada ao longo dos tempos para que nos tornemos inimigas umas das outras. Não custa nada lembrar: no nosso galinheiro, macho nenhum vai cantar de galo se não quisermos!

“Se desconfiar da infidelidade do marido, a esposa deve redobrar seu carinho e provas de afeto”: manchete de uma revista feminina que foi às bancas em...

Revistas “femininas” existem há muito tempo. Ao longo dos anos, as linhas editoriais mudaram bastante. Nas décadas de 50 e 60 era muito comum conselhos comportamentais que colocassem a mulher num plano secundário de submissão aos companheiros. Esta manchete foi da revista Claudia em 1962.

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