Casar no civil ainda tá on?

No Dia da Instituição do Casamento Civil no Brasil, a gente se pergunta: isso ainda faz sentido em 2022?

24.01.2022  |  Por: Mariana Caldas

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Casar no civil ainda tá on?

Eu nunca imaginei que casar era uma experiência pineal, totalmente lisérgica, capaz de expandir a minha mente e o meu coração de uma vez só. Mas é que juntar quase todas as pessoas da minha vida no mesmo tempo e espaço para celebrar o amor que eu escolhi viver foi realmente uma viagem astral. Eu amei casar, indico para todos desde então, mas eu também esqueci completamente de marcar a cerimônia do civil depois da festa. 

Durante os 365 dias de 2020, 76.175 casais se divorciaram. Em 2021 batemos mais um recorde, e o número total de divórcios chegou a 77.112, o maior da história do país. O dia 4 de janeiro marca xx anos da Instituição do Casamento Civil no Brasil (como bem diria Carrie Bradshaw, “I couldn’t help but wonder”), e nós não podemos deixar de nos perguntar: com tantos jeitos de celebrar o amor, juntar e misturar as escovas, por que a gente ainda casa no civil em 2022?

Eu tenho uma amiga que assinou uma união estável com a melhor amiga, que no caso é sua roommate, para resolver com mais facilidade as burocracias do aluguel. Detalhe: cada uma tem o seu namorado. Outra decidiu casar no civil depois de muitos anos de relacionamento, e filhos já grandes, para poder ser sócia do clube. Importante dar importância ao que tem importância, sempre. 

Também tenho uma amiga que só decidiu se jogar nos papéis para poder levar a família junto com ela para Nova York, quando chegou o convite para ser correspondente de um grande jornal brasileiro por lá. E mais uma que se jogou na união estável para poder prestigiar o casamento da cunhada, que seria na Europa, no ápice da pandemia, quando as fronteiras estavam fechadas. E também conheço muitas histórias de casais de amigos que oficializaram o amor perante a lei por causa de uma bolsa de estudos internacional. 

Voltando para a minha história, eu e meu marido decidimos casar no civil no mesmo dia da nossa festa, um ano depois. Eu estava grávida e minha Serena foi o empurrãozinho que faltava pra gente assinar de vez a nossa união, cinco anos depois do nosso primeiro beijo. Afinal, nada como uma certidão de casamento para realizar o sonho do plano de saúde próprio. 

E claro, é sempre fundamental lembrar que o direito ao casamento civil é uma vitória muito recente para a comunidade LGBTQIA+, que deve sim ser honrada, celebrada, comemorada e assinada. Principalmente nos últimos quatro anos. 

Mas no geral, apesar da pandemia também ter sido dos divórcios, e de muita gente achar que a oficializar o amor estava um pouco fora de moda entre as novas gerações, a gente continua casando (e muito!). Aos números: 757.179 casais oficializaram os seus votos em 2020, e 683.855 em 2021. Em 2019 foram mais de um milhão. 

Parece, então, que o casamento civil ainda está super on e realmente faz muito sentido, não só como um ritual que escolhemos para significar a importância de uma relação na nossa vida, mas também para resolver das pequenas coisas às grandes aventuras da vida. 

Mariana Caldas é diretora, fotógrafa e jornalista, seu trabalho autoral investiga e revela a natureza selvagem que vem de dentro

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