Cem Peitos | Uma galeria viva com obras de artistas plásticas incríveis

Fotografia de Gabriela Machado é o mais novo trabalho da nossa coleção

10.11.2017  |  Por: Equipe Hysteria

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Cem Peitos | Uma galeria viva com obras de artistas plásticas incríveis

Peito já foi tabu. Peito já foi escondido em sutiã, ainda é proibido em praias e causa problemas em redes sociais. Mamilos são polêmicos. Mas peito também protesta, peito faz carnaval, peito alimenta em público. Deixou o sutiã para ganhar o mundo. Por eles e pela liberdade deles, Hysteria criou o projeto Cem Peitos, uma galeria viva de obras de arte protagonizadas por eles — sim, os peitos.

Convidamos artistas para que mostrassem os seus próprios ou para que os representassem, por meio de fotografias, esculturas, pinturas, colagens, instalações, em suma, a partir dos suportes que lhes são caros.

Há peitos criados com exclusividade para a plataforma. Há peitos de acervo. Há artistas consagradas e jovens, em início de carreira. Todas mulheres de peito que, mesmo em tempos de conservadorismo rondando até as artes, não temem o mundo. Pelo contrário, peitam-no.

Adriana Varejão, Valeska Soares e Janaina Tschäpe, entre outras, buscaram trabalhos em seus arquivos. Adriana, por exemplo, reencontrou Dadivosa, obra de 1999 em que cria uma Vênus de quatro peitos a partir de uma fotografia de seu próprio corpo. Janaina Tschäpe resgatou obra da série Água Viva, em que explora a forma mutante das águas-vivas e cria um universo onírico, com o corpo (e os peitos) quase submersos. A artista e escritora Chica Batella pinçou o desenho Minha, de 2004, para a nossa galeria. Liana Nigri, na série de fotos Transcender, usa um busto de biofilme sobre um homem, abstraindo e subvertendo o conceito de masculino e feminino. Nicole Della Costa, que vive e trabalha em Nova York, participa com uma fotografia em colaboração com Jonah Freud (que fotografou a própria artista) e Marcela Jacobina (styling). Adrianna Eu divide com Hysteria o trabalho Aula de Corte e Costura para Moças, que consiste em seios feitos de emaranhados de linhas bordados em guardanapos de mesa. E a fotógrafa Ana Quintella, que tem o corpo como principal tema de pesquisa, contribui com um autorretrato de uma série em homenagem a Mario Cravo Neto.

Já Berna Reale, Luiza Baldan e Maria Laet, por outro lado, “criaram” peitos a pedido de Hysteria. Luiza, por exemplo, já tinha os peitos em pauta — acaba de ser mãe e viu sua relação com o corpo se transformar. A timidez dos tempos de topless em praias estrangeiras deu lugar à força da amamentação, ou como diz a artista: “Hoje me sinto totalmente curada dos pudores sobre o peito e sobre o meu corpo como um todo”. O ato de amamentar também inspirou a fotografia que a carioca Maria Lynch fez para nossa coleção. Já a jovem designer, estilista e artista Camila Fudissaku cria ilustrações cujas referências vão de Yayoi Kusama a Godard. O peito-obra que desenhou, pois, guarda essas inspirações. A pernambucana Joana Lira, que por dez anos criou e desenvolveu o projeto de cenografia e identidade visual do carnaval de Recife, valeu-se da influência das cores e da cultura locais. A gaúcha Rochelle Costi fez uma fotografia exclusiva para Hysteria durante uma viagem por Santa Catarina, no início de 2018. A imagem lhe surgiu ao acaso: de longe, avistou um sutiã entre arbustos secos e, lembrando-se de Cem Peitos, parou para clicar a cena. Já a carioca radicada em Berlim Cristina Canale criou para Hysteria a técnica mista sobre papel Assimetria. 

O mais novo trabalho da coleção é da artista carioca Patricia Borges. Aluna do Parque Lage e premiada nas nas Bienais de Florença e Roma, ela contribui com La Peau, um ensaio sobre uma mulher que encarna a liberdade de tirar o sutiã e finalmente respirar aliviada.

Como os de todas elas, novos peitos virão, criados especialmente ou pinçados de acervos para o projeto. Esta é uma galeria viva, contínua, alimentada toda semana — até, enfim, chegar a Cem Peitos.

 

 

 

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