Conheça as jogadoras da seleção brasileira

A mãe, a engajada, a promessa: quem são as 23 guerreiras que representam o Brasil no Mundial da França

07.06.2019  |  Por: Mariana Spinelli

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Conheça as jogadoras da seleção brasileira

A Copa do Mundo de Futebol Feminino chegou. Serão 24 equipes brigando pelo título e o posto de maior time da categoria. Como toda boa Copa do Mundo, é hora preparar a mandinga, trazer todos os sofás para a frente da televisão e botar a corneta na janela.

Transmissões não vão faltar. Pela primeira vez, duas emissoras de TV aberta mostrarão as partidas. Globo e Band estão juntas na empreitada de deixar o futebol feminino cada vez mais universal. Ingressos esgotados, estádios lotados e espetáculo garantido.

Este momento acontece somente de quatro em quatro anos, então trate de aproveitá-lo.

Sem falar em chances, agora é hora de apoiar essas minas guerreiras do Brasil, que estão batalhando com força máxima para trazer o título para casa. E estão também numa jornada inspiradora na busca por igualdade de gênero.

A nossa parte é assistir e torcer. E para que possamos fazer isso com categoria, trazemos um pequeno perfil de cada uma das 23 jogadoras da seleção.

ATACANTES

Marta [10]

Como não lembrar da narração de Luciano do Valle em um dos gols do Brasil em 2007: “Não há palavras para descrever Marta!” (Leia aos berros.)

A alagoana da cidade de Dois Riachos começou como a maioria: jogando na rua, entre os meninos. Aos 14 anos, saiu de Alagoas e seguiu rumo ao Vasco. De lá, passou pelo Santos, Tyreso (SUE), Rosengard (SUE) e atualmente defende o Orlando Pride, dos EUA. Mas seu maior feito é a representatividade. Ninguém – nem Messi, nem Cristiano Ronaldo, nem ninguém – tem mais títulos de melhor do mundo que ela: seis. O tal hexa que o brasileiro tanto pede, Marta já conquistou.

Ela é convocada desde a Copa de 2003 e chega hoje, aos 33 anos, para o que pode ser sua última participação em mundiais. A camisa 10 do Brasil é também a maior artilheira de Copas femininas (15 gols) e, caso marque na França, se tornará a maior de todas as Copas, ao lado de Miroslav Klose, jogador alemão.

Há poucos dias do início do torneio, Marta se lesionou e está em tratamento intensivo para a estreia do Brasil contra a Jamaica, no domingo 9 de junho.

Cristiane [11]

Ninguém iria imaginar que a “alma” do Brasil sofreu depressão após a eliminação nas Olimpíadas do Rio e pensou em largar a carreira. Hoje, recuperada e em paz com o futebol, Cris faz a sua quinta Copa do Mundo, ao lado de suas companheiras de vida: ‘Fu’, como ela carinhosamente chama Formiga, e Marta.

Enquanto a alagoana e seis vezes melhor do mundo é a maior artilheira de Copas, Cristiane ocupa o posto em Olimpíadas: são 14 gols em 15 jogos.

Depois de atuar no Paris Saint-Germain e passar por momentos difíceis na China, Cris, aos 34 anos, voltou ao Brasil para defender o São Paulo e reencontrar o bom futebol no Mundial, que pode ser sua despedida na competição. Mais um adeus na geração de ouro canarinho.

Bia Zaneratto [16]

Bia Zaneratto tem o futebol no sangue. Aos 7 anos entrou pela primeira vez em uma escolinha para jogar com meninos. E sua presença incomodava: os pais dos garotos fizeram até reunião para tirar a única menina do time.

Aos 13 anos, começou a atuar entre meninas na equipe de Araraquara e de lá partiu direto para as categorias juvenis da seleção brasileira. Centroavante nata, atualmente defende o Red Angels, da Coreia do Sul, e é uma das principais peças do técnico Vadão. Bia faz seu terceiro Mundial com uma bagagem de artilheira na última Copa América (seis gols).

Raquel [20]

Dos campos de terra em Minas Gerais para os gramados da França. Raquel é de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, onde c
omeçou jogando nos famosos “terrões”, e chega à sua segunda Copa do Mundo. A “baixinha arisca” da seleção promete dar trabalho para as marcadoras. Atualmente defende o Hueva, da Espanha, mas já jogou por Corinthians, Iranduba e até na China.

 

Debinha [9]

Mais uma mineira completa a lista de Vadão. A camisa 9 da seleção é de Brazópolis, no interior do Estado. Com apenas 1,57m de altura, Débora se tornou Debinha.

Apesar de ter seu nome conhecido pelos brasileiros, Debinha está em sua primeira Copa do Mundo. A atacante já jogou pelo São José e desde 2016 atua no exterior. Hoje, ela se junta a outras brasileiras na liga norte-americana e defende o North Carolina Courage.

Geyse [23]

Caçula da seleção e conterrânea de Marta, Geyse, de 21 anos, é a atleta mais nova convocada por Vadão. O técnico puxou uma das principais revelações do Brasil da categoria sub-20.

A alagoana tem a responsa de vestir a camisa 9 do Benfica, clube tradicional de Portugal. Geyse se destacou no Corinthians e logo começou sua carreira internacional.

 

Ludmila [19]

Ludmila, de 24 anos, faz a sua estreia em Copas do Mundo e é uma das principais esperanças para a nova geração da seleção brasileira.

Ludmila é atacante do Atlético de Madrid, clube que bateu recorde de público no futebol feminino na Espanha, levando mais de 60 mil pessoas ao estádio. Veloz e muito habilidosa, a paulista de Guarulhos já praticou até atletismo por conta de sua rapidez.

Ludmila é um dos nomes para ficar (muito) de olho no Brasil.

Andressa Alves [7]

Talvez nenhuma atleta tenha ganhado tanta moral no últimos anos como Andressa Alves. A camisa 7 do Brasil é, simplesmente, a 10 do Barcelona. É polivalente, habilidosa e versátil – a atacante já foi usada como volante e lateral. Andressa chega como um dos nomes mais falados e esperados nesta Copa.

É o segundo Mundial da paulistana, que teve em 2019 o seu ano de ouro: disputou, pela primeira vez na história do clube espanhol, uma final de Champions League. Andressa é uma das principais estrelas da seleção e tem no currículo o título da Libertadores pelo São José e passagem pelo Montpellier, da França.

MEIAS

Andressinha [17]

A garota-prodígio da seleção brasileira tem nome: Andressinha. Talvez uma das atletas mais habilidosas da equipe, ela chega à sua segunda Copa do Mundo mais preparada – em sua primeira aparição, tinha apenas 20 anos (2015, no Canadá).

Andressinha tem no currículo passagens por times gigantes do futebol feminino: Iranduba, Houston Dash e, atualmente, o Portland Thorns dos Estados Unidos – campeão da liga em 2017. Com 24 anos, a gaúcha da pequena Roque Gonzales chega como uma das principais esperanças para tentar o título inédito para o Brasil. E o apelido de prodígio não é à toa: a meia acumula seis convocações – duas pela sub-17, duas pela sub-20 e duas pela principal. E tem duas medalhas de ouro em Copas América.

Formiga [8]

Miraildes Maciel Mota ficou mundialmente conhecida como Formiga quando um torcedor a achou “imparável” e cravou o apelido. No começo ela não gostava, via um certo tom de piada. Mal sabia a atleta que como Formiga ganharia o mundo e seria admirada pela geral por ser veloz, trabalhadora e incansável.

Aos 41 anos, a jogadora tem anos de futebol e anos de história na seleção brasileira – ela só não esteve na primeira Copa do Mundo, em 1991, mas, de lá para cá, participou de todas. Na França, a volante da seleção chegará ao seu sétimo Mundial, um recorde na categoria, superando a japonesa Homare Sawa (seis). Mais velha atleta a jogar uma Copa, Formiga também esteve em todas as Olimpíadas desde a inclusão das mulheres no futebol, em 1996.

Vinte e quatro anos depois de sua estreia em Mundiais, Formiga se prepara para vestir, pela última vez, a camisa verde e amarela.

Thaisa [5]

A volante Thaisa é mais uma das atletas que estiveram na Copa do Mundo de 2015. A jogadora natural de Xambrê, no Paraná, é um dos nomes do meio de campo do Brasil.

Aos 30 anos, ela defende o recém-criado Milan feminino, na Itália, e é a única jogadora do Brasil que atua na liga do país. No currículo, Thaisa leva clubes como América-MG, São José e Osasco Audax.

 Luana [18]

Na convocação oficial de Vadão, Luana não estava. A camisa 18 foi escalada posteriormente ao anúncio para substituir Adriana, a principal atleta do Corinthians, que sofreu uma lesão grave no ligamento do joelho após ser chamada para a seleção.

Com a desconvocação de Adriana, Luana, de 26 anos, meia do Jeonbuk KSPO, da Coreia do Sul, ganhou a vaga e disputará sua primeira Copa do Mundo.

LATERAIS

Poliana [2]

Por alguns dias a seleção brasileira teve Fabi Simões como principal nome da lateral-direita, mas, infelizmente, a baiana foi cortada na última segunda-feira por conta de uma lesão. No seu lugar, Poliana foi convocada.

A mineira começou praticando atletismo e só depois estreou no futebol. Poliana leva no currículo Rio Preto (SP), Santos, Houston Dash (EUA) e hoje defende o São José (SP). A lateral-direita tem um ouro panamericano e um Mundial e uma Libertadores por seu atual clube.

Letícia Santos [13]

Letícia Santos é estreante em Mundiais. A lateral-direita é de Bragança Paulista e, apesar de ter apenas 24 anos, construiu uma carreira sólida no exterior.

Bagagem é o que não falta. Além de passagens pela seleção brasileira de base, Letícia já jogou na Noruega, venceu a Libertadores pelo São José e, desde 2016, atua pelo Sportclub Sand, equipe da primeira divisão alemã.

Tamires [6]

E pensar que uma das melhores jogadoras da seleção poderia não estar na lista de convocadas. Tamires, mineira de Caeté, é a única mãe entre as 23 convocadas. Aos 21 anos, a jogadora engravidou de Bernardo, teve que deixar o futebol de lado e o retorno não foi fácil.

Tamires recebeu proposta para defender o Atlético-MG, mas o marido, César, também jogador, atuava em um clube do interior há seis horas de Belo Horizonte. A mineira, então, abandonou a carreira para ficar com a família.

Em 2015, o Fortuna Hjorring da Dinamarca fez uma proposta e, finalmente, ela voltou a atuar. Desta vez, foi o marido que abandonou a carreira para seguir os passos da mulher.

Tamires, de 31 anos, faz a sua segunda Copa do Mundo e é uma das principais atletas da posição na competição.

Camila [15]

Camilinha, a camisa 15 da seleção brasileira, é estreante em Copas do Mundo. Camila é a “garotinha” de Marta – apelido que a craque colocou. Juntas, elas defendem o Orlando Pride nos Estados Unidos, e fora de campo Marta é sua maior inspiração.

A polivalência de Camilinha foi um dos motivos pelos quais Vadão a convocou. Além de atuar na lateral-esquerda, a catarinense também joga como meia e tem característica ofensiva.  

ZAGUEIRAS

Daiane Limeira [3]

Daiane foi chamada para integrar a seleção menos de 48 horas antes da estreia na França. Entrou no lugar de Érika, que se machucou. Hoje, ela é zagueira no Paris Saint-Germain (França), mas já passou pelo Avaldsness Idrettslag, da Noruega. Tem 22 anos e também 22 irmãos, aos quais ajuda a sustentar com orgulho. É natural de Uberlândia e começou jogando bola na rua. Foi vista pelo professor de uma escola próxima que a levou para testes, treinos e bancou todo seu início de carreira, que a conduziu para o Kindermann-SC, XV de Piracicaba-SP, Tiradentes-PI e depois Rio Preto-SP.

Sua primeira convocação foi para a seleção de base em 2016. Disputou o sub-20 e chegou a ser eleita a melhor em campo no decisivo jogo contra a Suécia. Foi selecionada para a Copa América no ano passado e ajudou o Brasil a conquistar o título da competição.

Canhota e perigosa na bola aérea, ela já foi largamente elogiada pelo técnico Vadão.

Kathellen [14]

Em sua primeira Copa do Mundo, Kathellen é uma das revelações da seleção. A zagueira começou jogando futsal em São Vicente (SP), sua cidade natal. Na adolescência, ganhou bolsa em uma universidade americana e teve seu primeiro contato com o futebol de campo.

Com apenas 23 anos, Kathellen defende hoje o Bordeaux, clube francês.

 

Mônica [21]


Mônica é uma das referências da seleção brasileira. Aos 32 anos, a zagueira é convocada para defender o país desde 2006, e por isso favorece o entrosamento da equipe.

Hoje, atua ao lado de Erika no Corinthians, mas a gaúcha já passou pelo Orlando Pride (time de Marta e Camilinha). Mônica leva no currículo também o Atlético de Madrid e o Flamengo, onde estava quando foi convocada para a Copa de 2015 e para a Olimpíada de 2016.

Tayla [4]

Natural de Praia Grande, em São Paulo, a zagueira jogou em um dos dois principais times de futebol feminino do país antes de dominar a Europa. Tayla defendeu o Santos, pioneiro na categoria, e o Iranduba, o “hulk”da Amazônia. Este ano ela se transferiu para o gigante clube português Benfica.

Detentora da camisa 4 do Brasil, Tayla chega à sua segunda Copa do Mundo com 27 anos. Em 2015, a zagueira ficou na reserva e viu a seleção brasileira perder nas oitavas de final para a Austrália.

GOLEIRAS

Bárbara [1]

Detentora do número 1 da seleção brasileira, Bárbara é uma veterana com a camisa verde e amarela. Desde os 18 anos a pernambucana é convocada para defender o país em torneios juvenis e profissionais.

Hoje, aos 30, ela defende o Avaí/Kindermann (SC) e encara sua quarta Copa do Mundo. A atleta, recentemente homenageada no Hall da Fama da Arena Pernambuco, tem no currículo o vice Mundial em 2007, vice olímpico em 2008 e duas medalhas de ouro em panamericanos (2007 e 2015).

Aline [12]
Aline Reis é uma goleira diferente: mede 1,63m. Mas nunca teve problemas com sua altura – que compensa trabalhando técnicas específicas de defesa. A paulista de 30 anos, que atualmente defende o Tenerife, da Espanha, jogou por dez anos nos EUA, onde o futebol feminino é potência. Mas não é só o tamanho que faz de Aline uma atleta admirável, ela também tem mestrado na Universidade Central da Flórida.

Politizada e engajada nas causas feministas, Aline começou a carreira na categoria de base do Guarani, em Campinas, sua cidade natal. Aos 18 anos, saiu do país para jogar e estudar nos Estados Unidos (prática muito comum para as atletas brasileiras). Essa é a primeira Copa de Aline com a camisa verde e amarela.

Letícia [23]

Aos 24 anos, a arqueira do Corinthians se prepara para sua segunda Copa do Mundo – a primeira foi em 2015, no Canadá.

Letícia Izidoro, apelidada de Lele, tem no currículo o título do Sul-Americano sub-20 e a Copa América em 2018. A carioca, que atualmente defende o Corinthians, é a protetora do gol do clube alvinegro, líder isolado do Campeonato Paulista.

 

 

Mariana Spinelli é jornalista da ESPN e futebolista amadora. É mineira de BH, defensora do futebol feminino e engajada na luta pelo espaço das mulheres no campo, nas arquibancadas e nas tribunas

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