Dia Internacional da Mulher: expectativa versus realidade

Pesquisa feita pela Hysteria em parceria com o instituto Hibou mostra como nosso empoderamento ainda é tímido no mundo lá fora. Pois hoje é tempo de dar um banho de expectativa na nossa realidade

07.03.2019  |  Por: Equipe Hysteria

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Dia Internacional da Mulher: expectativa versus realidade

Então é 8 de Março novamente. Desta vez o Dia Internacional da Mulher veio coladinho no carnaval e reverbera ao som da batucada e da paisagem repleta de seios de fora. A sensação é de pura imponência e poder. E no marketing (leia-se Instagram) o empoderamento vai de vento em popa. Mas o mundo das redes sociais ainda parece ser o mundo reverso, aquele que tem a cara do nosso, mas é invertido – Stranger Things feelings.

Durante a semana passada, Hysteria soltou uma pesquisa em parceria com o instituto Hibou e os dados trazem o mundo real à tona. Para ficar nessa seara do despir e vestir: 74% das 984 entrevistadas – mulheres de todo o Brasil e de diferentes faixas etárias (embora 72% tenham menos de 44 anos) – disseram que ainda se obrigam a mudar de roupa com medo de parecerem inadequadas antes de sair de casa (volta, carnaval!).  E 68% responderam que costumam se sentir desconfortáveis em ambientes como estádios esportivos e eventos de tecnologia, historicamente ambientes dominados pelos homens.

Para Lígia Mello, monitora do Hibou que capitaneou a pesquisa pelo segundo ano consecutivo, chama a atenção o que acontece dentro de cada mulher em comparação com o que acontece em sociedade. “Achei que ranços como o medo de pegar táxi sozinha ou a estigmatização das mães no ambiente de trabalho não apareceriam com tanta força. Principalmente se comparados aos dados de divisão de renda e sensação de empoderamento. Vemos claramente que as mulheres estão se sentindo mais fortes, mas o mundo lá fora ainda gera bastante desconforto”, diz.

Foi triste constatar que só 20% das mulheres acham que os homens estão parceiros nas lutas por igualdade, e que 52% não hesitam em dizer que a vida das mulheres não melhorou do ano passado pra cá. Seria tão mais legal se essa percepção fosse diferente, não é mesmo? E não se trata de roubar protagonismo, mas dar as mãos na luta por um mundo de iguais.

Medo e violência

Quem aí já teve medo de um namorado ou marido? 48% das entrevistadas confessaram que sim. Assim como 53% evitam pegar táxi sozinhas à noite porque se sentem vulneráveis. Vivemos assombradas pelo medo e quando vemos que 26% das quase mil mulheres já sofreram violência física por parte dos companheiros, entendemos de onde isso vem. Temos medo dos homens, sejam eles os taxistas ou nossos parceiros. Mas estamos em luta para mudar o mundo e isso começa dentro de casa. Pior isso, quando 89% disseram que criam ou criariam seus filhos, meninos e meninas, da mesma maneira, vem uma brisa de esperança. Até porque 79% afirmam que não foram criadas da mesma forma que os irmãos. Pois é, isso muda o mundo.

A conta e louça

Vimos na pesquisa que a esmagadora maioria das entrevistadas divide a renda, seja com companheiro, companheira, pais ou filhos. E um dado que chamou a atenção é que em 53% dos casos a renda delas representa a metade ou mais da metade do total de ganhos da família. Seria lindo se pudéssemos afirmar também que o mesmo vale para a divisão das tarefas. Mas não. Olha que curioso: as entrevistadas afirmaram que cuidam de 50% dos afazeres do lar, mas os companheirxs fazem apenas 30%. Os 20% que sobram ficam a cargo de funcionárias ou outros familiares. É patriarcado que chama! Não à toa, para 94%, o Brasil é um país machista.

Sororidade e as top 15

79% das mulheres que responderam à pesquisa se consideram feministas, e 81% acreditam no conceito de sororidade (por outro lado, 41% estão cansadas da palavra empoderamento). No final, todas foram convidadas a escrever o nome de uma mulher que admiram. As mais citadas, pela ordem, foram:

  1. Michelle Obama
  2. Djamila Ribeiro
  3. Dilma Rousseff
  4. Lady Gaga
  5. Fernanda Montenegro
  6. Marielle Franco
  7. Chimamanda Adichie
  8. Frida Kahlo
  9. Emma Watson
  10. Manuela D’Ávila
  11. Malala Yousafzai
  12. Fernanda Lima
  13. Angelina Jolie
  14. Madonna
  15. Julia Tolezano (Jout Jout)

 


Confira abaixo as principais constatações da pesquisa:

Você se considera feminista?

 

Homens e mulheres foram criados da mesma maneira na sua família?

 

Você cria (ou criaria) os seus filhos homens e mulheres da mesma maneira?

 

Acha que uma mulher só está completa quando tem filhos?

Incluir o nome do marido ao casar é uma tradição importante?

 

Você acredita no conceito de “sororidade”?

 

Você já está cansada da palavra “empoderamento”?

Já sentiu medo de algum namorado ou marido?

 

Já sofreu algum tipo de violência física de algum namorado ou marido?

 

Já sofreu algum tipo de violência por ser mulher?

 

Já usaram a palavra feminista de forma pejorativa com você?

 

Ainda acontece de eu me obrigar a mudar de roupa com medo de parecer inadequada antes de sair de casa.

 

 

Penso que pessoas ainda veem uma mãe como uma profissional menos comprometida.

 

Ainda acontece de me sentir diminuída no ambiente de trabalho por ser mulher.

 

Evito pegar táxi ou Uber sozinha à noite.

O Brasil é um país machista.

 

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