É possível criar os filhos sem castigos e sem punições

Muita gente ainda confunde acolhimento com permissividade. Vamos esclarecer as diferenças?

21.10.2019  |  Por: Priscila Inserra

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É possível criar os filhos sem castigos e sem punições

Existe uma confusão muito grande sobre a educação respeitosa ser permissiva. Mas vamos deixar logo claro: educar com gentileza não significa educar sem firmeza. Na educação não violenta, os sentimentos e quereres da criança são vistos como legítimos e tratados como naturais. Isso não significa que os pais devem ceder a todas vontades, tornando-se (aí sim) permissivos.

Nós acolhemos o querer, nomeamos os sentimentos e somos a autoridade, quem toma as decisões. Somos os adultos da relação e isso deve estar claramente estabelecido. Mas, para sermos respeitados, não é preciso ser autoritário ou botar medo. Estou falando de estabelecer regras e exercê-las com empatia, e de respeitar nossos filhos como seres humanos em desenvolvimento, que também têm vontades e desejos.

Sem castigos, sem ameaças, sem punição.

Crianças  criadas de forma respeitosa ficam mais conscientes e não obedientes (que é o que visa a educação autoritária) se comportam com mais respeito, resiliência e empatia. Elas têm mais facilidade para se colocar no lugar do outro e entender a razão das coisas.

As pessoas obedientes se guiam pelo medo da punição e não pela consciência de seus atos.

Uma criança que foi criada e educada para obedecer e não para ser consciente tem dificuldade de tomar decisões, de se comportar diante dos desafios e dos problemas. Foram ensinadas a abaixar a cabeça e a obedecer os pais, os professores, os mais velhos. Confundem, com muita facilidade, respeito com obediência. Como se precisássemos temer para respeitar, obedecer para mostrar respeito.

É preciso acolher as frustrações

Mas é aí que vem a confusão. Não ser autoritário não significa ser permissivo, ou seja, estar sempre evitando que nossos filhos se frustrem. É impossível, e nada recomendável, tentar criá-los numa redoma, onde tudo sempre dá certo. O não diante de uma vontade, uma expectativa quebrada, um desejo não realizado, um amor não correspondido, um objetivo não alcançado, um emprego perdido. Todos vão passar por situações assim. Frustração faz parte da vida.

Trazendo para a infância: frustração por não poder ficar mais tempo no parquinho, por não poder tomar sorvete antes do almoço, por ter que parar de brincar para tomar banho ou por não poder ganhar aquele brinquedo da loja cai para as crianças como uma quebra de expectativas e de sonhos, assim como é para nós, adultos,  o “fora”, a demissão ou um “não” indesejado.

Se ensinamos as crianças a lidarem com essas pequenas (grandes) frustrações, validamos seu sentir e mostramos que se frustrar faz parte da vida, estamos criando adultos mais equilibrados e preparados para enfrentar a vida como ela é.

A parentalidade positiva não diz que os pais devem sempre ceder. Mas defendemos, sim, que a frustração seja acolhida, porque só assim as crianças saberão lidar com suas emoções. E, acredite, saber lidar com o que a gente sente é muito mais importante do que aprender a falar várias línguas ou saber fazer cálculo avançado.

O sentimento de frustração é inevitável, mas a forma como vamos lidar com ele é uma escolha nossa. E que fique claro: acolher não é ceder!

Quer aprender mais sobre educação não violenta e parentalidade positiva? Fique na agenda de Encontros Parentais.

Priscila Inserra é formada em Comunicação Social e produtora há mais de 20 anos. Virou ativista da humanização há 13 anos, quando ficou grávida da filha mais velha. Hoje, realiza eventos sobre o universo da maternidade pelo Brasil e tem como propósito de vida disseminar a parentalidade positiva e mudar o mundo através da educação não violenta

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