É possível fazer o enxoval do bebê gastando pouco?

Lia Bock garante que sim: tudo depende da sua disposição para pesquisar, questionar e, claro, segurar a ansiedade

11.05.2018  |  Por: Lia Bock

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É possível fazer o enxoval do bebê gastando pouco?

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A maioria das mães de primeira viagem se pega fazendo mil listas com medo de deixar de comprar alguma coisa de que talvez o bebê que está por vir precise, e a gente nem desconfia. Mas a verdade é que, na maioria das vezes, na busca pela perfeição acabamos exagerando. Não são raras as histórias de crianças que cresceram antes de usar diversas roupinhas que estavam na gaveta. Ou de pais e mães que superdimensionaram os móveis do quarto, quando duas ou três gavetinhas dariam conta do recado.

A questão é que na (eterna) vontade de não errar acabamos gastando muito mais do que o necessário com o enxoval do bebê. Claro que seria lindo se a gente tivesse uma lista que serve para todo mundo e essa fosse a receita perfeita para gastar pouco. Mas, infelizmente, não é bem assim. Conversamos com diversas mães e cravamos: mora no autoconhecimento e no bom senso a economia de cada família.

Salpiquemos aqui algumas dicas pra mostrar a diversidade de formas de pensar: “Acho que comprar banheira é um gasto desnecessário. Maior trambolho. A coisa mais prática do mundo é dar banho de chuveiro”, diz Roberta Tsuboi. “Melhor jeito de economizar: não comprar berço e fazer cama compartilhada”, opina Cristina Figueira. “Comprei um esterilizador de mamadeira para microondas e nunca usei. Grana jogada fora”, avisa Julia Nasser. “O melhor jeito de economizar é comprar coisas em grupos de desapegos. Existem milhares”, indica Luciana Trani. “Não comprei umas coisas como aspirador nasal e também não senti a menor falta”, conta Juliana Menz. “Para os móveis do quarto uma ótima pedida é ir atrás de usados em entidades beneficentes ou em sites como Enjoei e afins. E como nesses lugares tem coisa nova todo dia, vale estar sempre de olho”, ensina Marina Pessoa.

Cada um sabe de si

Quantidades e tipos de apetrechos dependem muito de onde você mora (faz frio? Calor? Em que época do ano vai nascer?) e das necessidades de cada bebê. Por isso uma das dicas mais preciosas é aquela que vale para qualquer tipo de compra: “Eu preciso mesmo disso?” Jamais pense: “Eu não sei se vamos precisar, então melhor ter.” Se está na dúvida, pesquise, se informe.

Pra não ficar só na teoria, bora listar algumas coisas que a mulherada costuma botar no carimbo de questionáveis: travesseiro para bebê (a maioria dos pequenuchos não usa e não precisa), escova e pente para cabelo (tem criança que só vê as madeixas aparecerem aos 2 anos), protetor de berço (não caia nessa de que são extremamente necessários e muito menos que devem ser feitos sob medida), sapatos (o.k., são muito fofos, mas bebê não anda, portanto não precisa de uma sapateira cheia). Deu pra sentir o clima, né?

Outra coisa importante é ficar de olho nos preços. Existe um mercado encantado de coisas infantis e o mesmo bodyzinho pode custar R$ 18 ou R$ 60, isso quando você não encontra um muito parecido por R$ 160. Portanto tenha em mente que um Excel com uma organização impecável de itens e preços precisa ter pelo menos três colunas com as variações (nada tímidas) de um mesmo item. E lembre, muitas coisas podem (e devem!) ser adquiridas de segunda mão. Existe uma infinidade de grupos na internet só pra isso. Um berço usado e charmosérrimo da cobiçada marca Bloom, por exemplo, pode custar menos do que um terço do preço do novo. E nunca é demais lembrar: berços duram pouco porque as crianças crescem, por isso podem ser usados por diversos bebês antes de apresentarem os primeiros sinais de velhice. E se você não é muito de comprar coisas usadas, reveja seus conceitos urgentemente.

Quando o barato sai caro

Sim, qualidade pode significar economia. Já que se você usar por muitos anos e (claro) não vai precisar adquirir outro porque o primeiro não estava atendendo as necessidades, o mais caro vale a pena. Exemplos? Inalador: existem os mais baratinhos, mas eles trazem o líquido acoplado à máscara do bebê, ou seja, não dá pra fazer inalação deitado. Os modelos mais carinhos têm qualidade infinitamente superior e permitem mobilidade. Lembra do aspirador nasal, questionado ali em cima por uma das entrevistadas? Bom, se seu filho estiver sofrendo com catarro e ainda for pequeno demais pra assoar o nariz, vale investir naqueles mais estruturados, já que os mais simples não funcionam. Mas esse é um bom exemplo de coisas que você compra quando precisa. E para algumas pessoas esse dia nunca chega.

Agora vamos para um setor especial: as lembrancinhas de maternidade. Gente, pense muito bem se você mesma (ou a sogra, a irmã ou a cunhada) não pode fazer alguma coisa simbólica e emotiva. E se o tempo ou as habilidades estão curtas, pesquise muito antes de encomendar qualquer coisa. Essa é uma das áreas mais cheias de atravessadores do universo. Entre você e a gráfica que faz ímãs de geladeira personalizados não precisa ter mais ninguém.

Ah, claro, não podemos deixar de falar das compras em Miami, né? Pois bem, vale ou não vale? Depende. É preciso checar a cotação do dólar. Se ele estiver valendo mais do que R$ 3 já começa a não valer a pena. Também é preciso atenção para não gastar tanto com a viagem (passagem, hotel, alimentação), ou a economia com as compras deixa de acontecer. Alguns podem dizer: “Ah, mas as roupas americanas são muito melhores.” Pois bem, se é só pelas roupas, você pode optar por empresas redirecionadoras, que recebem as coisas compradas pela internet lá em Miami pra você entucham (tudo bem entuchadinho) numa mala e enviam legalmente de forma mais barata.

Mas pra economizar de verdade o melhor é ir atrás das amigas e colegas que fizeram compras em Miami e tiveram filhos um pouco antes que você para receber doações. Carrinhos e cadeirinhas de carro doados, por exemplo, são uma bênção. Não custa nada assuntar com a comunidade se não tem ninguém querendo se livrar de um porque o filho cresceu.

E por último, mas não menos importante, desconfie de toda e qualquer lista que traga “tudo que o seu filho precisa”. Há muita coisa nelas absolutamente questionáveis. Quer a opinião de alguém? Procure as amigas que tiveram filho recentemente e estão com tudo que é desnecessário bem fresquinho na cabeça. Economizando com um bando de coisas desnecessárias (que muitos dizem ser essencial) você pode até comprar aquela roupinha fofa pela qual se apaixonou na vitrine de uma loja mais pomposa. Porque economia é inteligência e não privação.

Lia Bock, editora da Hysteria, é mãe de dois meninos e está esperando gêmeas.

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