Eu quero sangue!

Agora que a menstruação ganhou um Oscar, a diretora Mari Cobra conta como foi fazer o documentário 'Nosso Sangue Nosso Corpo', sobre as descobertas que vêm com a menarca, e compartilha o filme

28.02.2019  |  Por: Mari Cobra

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Eu quero sangue!

Cena do documentário "Nosso Sangue Nosso Corpo": histórias profundas de um momento de transformação

Desde que Period. End of a Sentence (no Brasil, Absorvendo o Tabu) ganhou o Oscar de melhor curta documental meu telefone não parou de tocar. Muita gente sabe que tenho uma relação forte com o tema, já que no ano passado mergulhei no assunto para desenvolver o filme Nosso Sangue Nosso Corpo. Fiquei muito feliz que um assunto tão importante foi reconhecido pela academia. A menstruação é tratada de forma diferente em cada cultura, mas na grande maioria delas segue sendo um grande tabu. Na Índia é uma questão delicada e por isso foi muito lindo ver como Rayka falou do assunto em seu filme.

No documentário Nosso Sangue Nosso Corpo, que trago aqui hoje pra vocês, mostramos como as meninas da geração Z (entre 13 e 18 anos) enfrentam o desafio da passagem para a vida adulta por meio da descoberta da menstruação. Nesse processo conversei com muitas meninas, fizemos pesquisas qualitativas e quantitativas para entender essa relação e muito me surpreendeu que, em pleno século XXI, a maioria delas em sua menarca pensaram que estavam morrendo, sentiram medo, vergonha, perderam aulas e sentiram o peso de “virar mocinha” imposto pela sociedade.

Foi bastante emocionante entrar em contato com histórias profundas deste momento de transformação do corpo da mulher. Penso que precisamos ressignificar nosso ciclo e isso só vai acontecer falando do assunto, fazendo filmes e tirando o tabu da frente.

Nesse processo aprendi com as adolescentes a repensar esse ciclo, a ter orgulho do funcionamento do meu corpo e também a desfrutar dos dias mais sensíveis. E isso deve chegar também a mães, avós e toda a cadeia geracional que foi afetada de diferentes formas por este tabu.

 

Mari Cobra é diretora, roteirista e fotógrafa. Com um olhar característico para a potência feminina, seu trabalho retrata a beleza em sua essência. Além do documentário Nosso Sangue Nosso Corpo, é também autora do projeto Divinas, série de fotos analógicas dedicada a retratar a beleza de mulheres latino-americanas fora do padrão imposto pela sociedade

1 Comentários

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Uma resposta para “Eu quero sangue!”

  1. oprol evorter disse:

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