O NFT é a nova renascença?

Se o futuro é feminino, a blockchain também deve ser

15.07.2021  |  Por: Mariana Caldas

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O NFT é a nova renascença?

O NFT pode ser muito moderno, super rare, o hype dos hypes, mas as mulheres também fazem parte da deep web do mundo das artes? Se o universo dos tokens não fungíveis for apenas uma réplica de um mercado que privilegia os homens e o status quo, ele realmente pode ser relevante e ter um gostinho do futuro que nos espera? 

Simplificando esse conceito que parece ser uma viagem lisérgica com um nome que não faz muito sentido, o NFT, sigla para “non-fungible tokens”, tokens não fungíveis em uma tradução livre, basicamente é um certificado de autenticidade que garante que um arquivo digital é o original, e por isso único.

A possibilidade de certificação de autenticidade da arte digital que o NFT trouxe para o mundo é realmente uma das maiores expansões de consciência e realidade dos últimos tempos, e conversa com os sentidos da nossa vida atual, que parece ficar todo dia um pouco mais digital, abstrata e sem fronteiras. Com obras, memes e até casas em 3D sendo leiloadas e vendidas por milhões de dólares, parece que estamos diante de um mundo infinito de possibilidades que inclui todos as formas de expressão possíveis, inclusive a moda e a música.

Entre os especialistas há quem acredite que o NFT é uma bolha prestes a estourar, outros tem certeza que essa forma etérea de consumo da arte e da vida veio para ficar, e promete mudar o mundo dos investimentos para sempre. Seja lá o que o futuro reserve para a moda do momento, vale lembrar que as mulheres são donas de apenas 15% das cripto moedas. 

Apesar do seu conceito totalmente democrático, descentralizado e até descolonizador, os maiores e mais importantes markets de NFT, como o Super Rare, são baseados em curadoria e todos os artistas precisam passar por uma seleção antes de serem aceitos. O resultado é que a maioria dos criadores que estão se destacando no mercado dos tokens não fungíveis são homens, o que acaba naturalmente desencorajando as mulheres de investirem na arte da blockchain.

É claro que, assim como no mundo material, as mulheres já perceberam a sua importância política nesse processo e estão criando movimentos em prol da expansão da arte feminina na rede, como o Woman of Crypto Art (WOCA), criado em 2020 pelas artistas Etta Tottie, Angie Taylor, Stina Jones, GiselXFlorez e Sparrow. A francesa Alycia Rainaud, conhecida como Maalavidaa, chegou a criar o “Heal The Deal”, em janeiro deste ano, a primeira comunidade de apoio emocional para cripto-artistas. 

Krista Kim, criadora da obra 3D “Mars House”, que foi vendida através do Super Rare por 288 unidades da cripto-moeda Ethereum, que equivale a aproximadamente 500 mil dólares, acredita que quanto mais artistas se inspirarem a investir nesse novo universo de possibilidades, mais o NFT tem a chance de criar um novo renascimento cultural.

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