O que vamos vestir depois da pandemia?

É um fato: estamos criando um estilo para um novo estilo de vida. Nele cabem pijamas urbanos, capas impenetráveis à prova de germes e looks que talvez só sejam vistos na tela

03.07.2020  |  Por: Natália Albertoni

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O que vamos vestir depois da pandemia?

Num futuro breve, usaremos macacões e casacos com capuz impenetráveis, à prova  ​de germes. Também teremos acesso ao melhor da moda descartável. E algumas dessas peças serão estampadas com logotipos de grandes labels, é claro. Afinal, símbolos de status continuarão a dignificar o homem (sim, é uma piada, para quem ficar na dúvida).  

Mas observar o que acontece em ambientes íntimos, no nosso cotidiano cada vez mais digitalizado, pode ser até mais interessante. Buscamos novas maneiras de expressar nossas individualidades que talvez nem cheguem às ruas. É o que sugere o relatório da The Future of Pandemics, da BrainReserve. Segundo a consultoria da bruxona futurista Faith Popcorn, os nossos avatares devem ganhar cada vez mais importância em teleconferências holográficas, em eventos de realidade virtual e em interações ativadas por tecnologia. 

A fashion-tech só cresce. O primeiro desfile de moda virtual do mundo, da Trashy Muse, contou com um casting de avatares renderizados digitalmente (!), incluindo o primeiro supermodelo digital do mundo, Shudu. E enquanto parte do mundo retém os gastos e vê lojas encerrarem atividades – só em São Paulo foram aproximadamente 20 mil desde março –, há pouco testemunhamos a venda de uma peça virtual de US$ 9.500, uma imagem de “vestir” e compartilhar on-line. Nós já falamos do match de games com a moda por aqui. Este universo ainda não tão explorado no Brasil ganhou em junho uma adepta da aventura. A varejista de moda Amaro, além de criar um perfil no jogo Animal Crossing: New Horizons, anunciou a criação da Cross Colection, coleção-cápsula inspirada em insights que teve no jogo. 

Na vida real mudanças também estão acontecendo. Marina Petecof é advogada e todos os dias (das últimas semanas) ela monta o look quase sempre igual. Para ir ao trabalho na sala da própria casa veste camisa, um suéter quando esfria, além de rímel e blush “pra dar uma cara de saúde”. Abaixo da altura do teclado só entram calças molinhas ou leggings com meias por cima. E, dependendo da call do dia, arremata com o seu roupão goiaba. Se identifica? O já chamado “waist up”, ou “above the keyboard dressing” – algo como “moda da cintura pra cima” – sugere ênfase aos decotes,  às formas das mangas, e o uso de acessórios como brincos, colares e lenços. Para o que permanece fora das telas – ou seja, abaixo da cintura – a diretriz é conforto e funcionalidade. Inclusive, Em meio ao apocalipse do varejo, a buscas por pijamas no Google aumentaram 500%. Já o Grupo Hope revelou, recentemente, que a venda desse tipo de peça da marca cresceu 400% no e-commerce durante a quarentena. A forma como nos vestimos e nos apresentamos ao mundo muda à medida que a nossa relação com os espaços muda. E é um fato: estamos criando um estilo para um novo estilo de vida. Mesmo que seja para não ir a lugar algum.

 

Natalia Albertoni é jornalista, meio camaleão. Cria, desenvolve e executa estratégias de relacionamento com a imprensa e de PR pra marcas, produtos e serviços

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