Pirei na Copa | Diva do bolão

Um jogo entre amigos e a marra de saber chutar como ninguém

03.07.2018  |  Por: Luisa Mascarenhas

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Pirei na Copa | Diva do bolão

— É dois a zerooo!!! México volta chorando pra casa, galera… E quem ganhou? Quem? Quem? Diz aí, gente!

— Brasiiiiiil!!!

— Não… Quem ganhou fui eu! De novo! Mais um bolão que eu acerto! E dessa vez sozinha, só pra constar… Todo mundo aí achando que o México ia fazer pelo menos um gol. Tô falando, sou especialista em Copa do Mundo…

— Você é sortuda, Mari, isso sim.

— Imagina! Eu posso não entender de futebol de time, mas de Copa do Mundo eu entendo! Até agora acertei quase tudo, 90% dos placares. Tô quatro bolões à sua frente, Serginho, deixo claro. O rei do futebol, o bambambã dos campos, e quem tá na frente? Euzinha aqui… Foi mal, meu povo, mas precisava deixar clara minha liderança. Vou até tomar outra cerveja pra comemorar.

— Você sempre foi boa em chute, Mari. Lembra das provas de múltipla escolha da escola?

— Verdade. Tenho o dom. Mas nesse caso é diferente. Eu entendo de Copa, tô super por dentro.

— Só porque você completou o álbum e sabe o nome dos jogadores bonitões?

— Falando assim parece até que você sabe alguma coisa de futebol, Alex. Eu e você estamos páreo a páreo nesse quesito. Só que pelo menos de Copa eu entendo.

— Imagina! Eu entendo de futebol sim. Acompanhei toda a Champions League agora por exemplo. Não perdi um jogo.

— Pode entender de time europeu, mas não vê um Flamengo e Vasco, um Flamengo e Criciúma… Não vai pra estádio, não fica assistindo aos melhores momentos dos jogos da semana no Fantástico.

— Eu durmo cedo, né. Acordo antes das cinco da manhã, esqueceu?

— Quem gosta de futebol aguenta. E na boa, você não sabe nem todos os jogadores do seu time, aposto.

— E você sabe, por acaso, Mariana?

— Eu disse que entendo de Copa, Gui. Apenas de Copa. Mas nisso sou faixa preta.

— A pessoa dá bons chutes de quatro em quatro anos. Grande coisa.

— Pelo menos eu dou bons chutes em algum momento, Guilherme… Não sou que nem uns pernas-de-pau que a gente vê por aí.

— Isso é porque você não me viu jogando nos tempos áureos.

— Eu te conheço desde seus 14 anos. Quando foram esses tempos áureos, me fala?

— Até uns 13, ué. Eu era sempre o artilheiro da escola.

— Hmmm. Sei. Isso foi antes ou depois de você virar casaca? Só para a gente entender…

— Já expliquei que não virei casaca… Peralá! Eu era vascaíno e tricolor, porque minha mãe é Vasco e meu pai é Fluminense. Aí demorei a me definir totalmente e virar vascaíno de vez.

— E pode isso, Arnaldo?!

— Você tá cheia de marra aí, mas é a maior pereba em todos os tipos de esporte…

— Sou pereba assumida, pelo menos.

— Lembra das aulas de educação física, Mari? A bola vinha e você fugia.

— E você, Flavinha, que ia sem uniforme só para não ter que jogar que eu lembro!

— Boa lembrança! Clássico da escola… Eu também fazia isso direto.

— Eu lembro, Guga. Você era o mais preguiçoso de todos.

— A verdade é que aqui só tem pereba, Mari…

— Eu já assumi a minha perebice. Falta vocês assumirem que sou a líder, a mestre, a visionária, a diva máster das Copas.

— Dos bolões. Das Copas é um pouco demais. O poder subiu à cabeça pelo visto… Essa liderança tá te fazendo mal, amiga.

— Tá mesmo, Pat. Já tô querendo roupão e quarto do líder… E se deixar mando alguém pro paredão. Tô descontrolada!

— Acho cedo para comemorar, hein. Ainda faltam muitos bolões até o final da Copa.

— Para de urucar, Marcelo! Você diz isso só porque tá na lanterna. Segura essa dor de cotovelo aí!

— Já eu tô na tua cola… Se acertar dois chego lá.

— Isso se eu errar dois, né, Rubinho…

— Você tá contando com a sorte até agora. Eu tenho conhecimento técnico. Aposto que viro esse jogo e acabo a Copa três bolões à sua frente.

— Ah, é? Meu palpite é que você perde por dois.

— O que é isso, Mari? Agora vai rolar um bolão de quem ganha o bolão?

— Exatamente, Carol! Quem ganha e por quanto ganha. Bolão do bolão. Quem tá dentro?!

 

Luisa Mascarenhas é escritora e psicóloga. Criadora e autora da página de crônicas de humor Pirei Online, lançou em 2017 o livro A Vida Virtual Como Ela É.

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