Pirei na Copa | Saideira

Vale tudo na festa de despedida do mundial

13.07.2018  |  Por: Luisa Mascarenhas

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Pirei na Copa | Saideira

— Marcão!!! Entra aí, figura!!!

— Caraca, parceiro, achei que fosse só um churrasquinho noturno, mas isso aqui tá um festão!

— Tem que ser! Saideira da Copa é só de quatro em quatro anos!

— É impressão minha ou você já tem mais pra lá do que pra cá, Leozinho?

— Tô beeem mais pra lá do que pra cá, Marcão! Bebendo desde cedo aqui, frenético.

— Ué, mas começou que horas essa saideira?

— A galera tá aqui desde umas duas da tarde.

— Em dia útil? O chefe liberou todo mundo?

— Não só liberou. O Ademar contratou o ônibus que trouxe o povo todo do nosso departamento.

— Gente boa o cara, então.

— Muito. Vou te apresentar daqui a pouco. Deixa ele sair da piscina.

— É aquele maluco bebum de cueca na água?

— O próprio. Tomou todas para esquecer o fim da Copa. Tá inconformado. Ele não só dispensava todo mundo nos jogos do Brasil, como parava o departamento para ver todas as partidas das outras seleções. É fanático por futebol e nasceu para a fanfarrice. Em dia de jogo nosso, se alguém ligasse ou mandasse mensagem falando de trabalho ganhava cartão amarelo. Teve um que insistiu porque tinha que entregar um relatório para um cliente importante. Tomou cartão vermelho.

— Foi demitido?

— Aham. Mas ameaçou usar o “assistente de vídeo” e provar para o chefão geral que não tinha ninguém trabalhando a tarde toda no departamento caso meu chefe não desistisse da demissão. O Ademar recuou, claro. Até porque sabia que tinha pegado pesado. Deu cartão vermelho de cabeça quente e encachaçado. Ele e o Júlio são muito próximos.

— E esse Júlio, quem é?

— Depois te mostro. Ele agora tá naquele quartinho escuro. O cantinho do CarnaCopa, onde todo mundo sai ganhando…

— Opaaa… Tem isso, é? Posso entrar?

— Claro! É liberado. Parece que o placar tá alto por lá. Saideira de respeito. É gol pra todo lado. Eu já tentei chegar ali e ver se sobrava alguma coisa pra mim, mas a patroa tá ligada.

— Convida para ir junto, de repente ela topa…

— Ela já foi! Quis dar uma incerta para saber se a galera estava destruindo a casa. Ficou um tempão lá dentro, controladora que só… E disse que não é ambiente pra mim. Que não tenho maturidade para aquilo lá e que tô embriagado demais para controlar meus atos.

— Ela tá sóbria?

— Imagina! Começou a beber antes de mim.

— Entendi… Mas, olha, Leozinho, você tá de parabéns… Festaço, hein! Tá bombando isso aqui!

— Tá mesmo. Os amigos foram trazendo amigos, e os amigos dos amigos foram chamando outros amigos e deu nisso. Fica à vontade aí, brother, deixa a cerva quente ali no freezer, pega uma gelada e vai circular.

— Beleza. Vou dar um rolé e depois vou no quartinho escuro…

— Opa. Aproveita lá então. Só fica ligado na hora, porque a partir das dez começam uns concursos que eu acho que você vai se amarrar. O primeiro é o Prêmio Neymar de Melhor Simulação de Falta. Vai pensando numa simulação bacana. Mas vai ser difícil ganhar da minha, já aviso.

— Tá certo… E quais são os outros concursos?

— Onze horas rola o Prêmio de Melhor FutParódia Improvisada, e à meia-noite vão rolar três concursos simultâneos: Prêmio Galvão Bueno de Melhor Narração Dramática, Prêmio Ronaldinho Fonômeno de Comentarista com Pior Dicção e, claro, o Prêmio de Melhor Jogador Bebum. A gente vai montar dois mini-gols aqui no terraço, fazer umas marcações no chão e colocar o povo para chutar bola. Enquanto isso os outros narram e comentam. Se prepara que vai ser imperdível. Tem taça e tudo no final.

— Show, cara! Tô dentraço dos concursos. Tem mais algum?

— Para a galera aqui de fora, não. Mas para quem estiver no quartinho do CarnaCopa tem mais dois. O Prêmio CR7, para o maior artilheiro ou artilheira da festa, e o Prêmio Alisson, para quem agarrou melhor.

— E quem vai decidir isso no meio daquela escuridão toda?

— A Rejane.

— Sua esposa?

— Aham. Ela que sugeriu esses dois concursos. Disse que consegue se virar lá no escuro e avaliar quem são os melhores. Ainda não entendi como, tá difícil enxergar quem é quem ali. Mas ela é danada, consegue dar nó em pingo d´água.

— Tô vendo…

— Aí, falando na patroa, olha ela me chamando. Vou lá dar uma atenção. Com um mulheraço desses, não posso correr risco de ser expulso de campo…

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