Por que 2019 vai ser o ano do futebol feminino

A transmissão da Copa do Mundo pela TV aberta é só o começo

18.03.2019  |  Por: Lia Bock

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Por que 2019 vai ser o ano do futebol feminino

Em 7 de junho será dado na França o pontapé inicial da Copa do Mundo de futebol feminino. Não que seja exatamente uma novidade, já que há 28 anos as mulheres têm seu próprio torneio mundial. A diferença é que pela primeira vez ele será transmitido ao vivo por uma TV aberta no Brasil. E isso faz toda a diferença. Com a possibilidade de acompanhar de perto as jogadoras brasileiras, uma outra relação começa a ser criada. A Globo transmitirá apenas os jogos da nossa seleção, caberá ao SporTV passar todos os outros jogos.

Mas não é só o fácil acesso às partidas que fará de 2019 um divisor de águas no esporte. Diversos acontecimentos estão fazendo deste ano um ponto marcante para todas aquelas que jogam amadora ou profissionalmente. Sei que muita gente cansou dessa palavra, mas aqui ela cabe demais: este é o ano do empoderamento do futebol feminino, e quem continuar tratando a categoria como café-com-leite vai tomar uma bela bola por debaixo das canetas.

Duas das principais patrocinadoras do esporte, Nike e Adidas, já avisaram a quem quer e a quem não quer ouvir que o mundo mudou e, como diz o slogan da (arrepiante) da campanha da Nike, “Só é loucura até você fazer“. Pois bem, pra quem achava que era impossível remunerar as jogadoras com o mesmo bônus de seus colegas, um aceno: a Adidas baixou o decreto “Equal pay for equal play, que pode puxar uma avalanche de mudanças. “Todas as atletas da Adidas vencedoras da Copa do Mundo FIFA 2019 de Futebol Feminino receberão os mesmos bônus de seus colegas homens”, diz o comunicado.

Achou muito tapa na cara da sociedade?

Pois é só o começo. A mulherada começou o ano do porco mostrando que não está pra brincadeira. No dia 8 de março, as americanas, atuais campeãs mundiais, entraram com um processo contra a federação nacional de futebol de seu país (USSF) reivindicando equiparação de salários e condições de trabalho com os colegas da seleção masculina. Não é novidade pra ninguém que o futebol feminino nunca teve atenção e remuneração justa.

Queremos que em pouco tempo ninguém estranhe quando uma menina pedir pra entrar no futebol da escola

E nem é só dentro dos gramados que a disparidade acontece. Até mesmo as empresárias que trabalham com futebol masculino (ou seja, negociam passes de jogadores consolidados) são vistas com desconfiança e recebem comissões menores. Se isso não é sexismo, eu não sei o que é.

Mas falemos das mudanças positivas, porque 2019 está cheio delas. Outra iniciativa da Nike que promete mudar o cenário do futebol feminino é a criação da Premier Cup para mulheres. A Premier Cup masculina existe mundialmente desde 1993 e nomes como Neymar passaram pelo torneio que serve de vitrine para talentos das categorias sub-17. Pois agora as manas terão a mesma oportunidade. As jovens atletas de oito times brasileiros participarão do campeonato que costuma abrir portas mundialmente.

E pra quem está se perguntando “mas e como essas meninas chegam lá?”, a resposta é simples: é preciso botar a mulherada pra jogar muita bola. E a Nike, que, como as minas, não está pra brincadeira, criou também o Nike Futebol Clube, que gratuitamente terá sessões semanais de treino no Parque Ibirapuera, em São Paulo (onde em 2017 revitalizou o campo) e um treino mensal no Pacaembu. “A gente quer que as jogadoras profissionais sirvam de inspiração para que meninas entrem no futebol. E queremos abrir espaço para que elas treinem. Queremos que em pouco tempo ninguém estranhe quando uma menina ganhar uma bola ou pedir pra entrar no futebol da escola. Aliás, a ideia é que as próprias escolas tenham vários times de futebol feminino”, afirma Martina Valle, diretora de marca para mulheres da Nike Brasil.

E claro que  há demanda para essas oportunidades. O que não falta no país do futebol são garotas doidas para que a vontade de ser jogadora não pareça estranha pra ninguém.

Ah, sim, e tem uniforme novo feito exclusivamente para as mulheres. É high tech e próprio pro corpo feminino. Mas deixemos para falar dele quando CBF se convencer de que as cinco estrelas referentes às vitórias do futebol masculino devem brilhar bem lindas apenas no peito dos rapazes. Em tempo: seleções como a francesa e a alemã trazem nas camisas das jogadoras apenas as estrelas referentes às vitórias do time feminino. Porque afinal, só é loucura até ser feito.

Lia Bock é jornalista e escritora. Autora dos livros Manual do mimimi e Meu primeiro livro. É colunista do UOL e da Revista Crescer e editora desta maravilhosa plataforma Hysteria.

1 Comentários

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Uma resposta para “Por que 2019 vai ser o ano do futebol feminino”

  1. oprolevorter disse:

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