Rolê das minas

A série 'Tô na Pista', que estreia hoje em Hysteria, joga luz sobre o crescimento do skate feminino, apesar de certas disparidades

27.02.2018  |  Por: Julia Millen

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Rolê das minas

O ano de 2018 começou bem para o skate nacional. Logo em janeiro, a Comissão Brasileira de Skate divulgou a preparação olímpica para o esporte, que terá sua estreia – mais que esperada – nos Jogos Olímpicos de Tóquio em 2020, na categoria de esportes radicais.

O lado mais bonito disso? Além de figurar pela primeira vez nas Olimpíadas, um forte time de mulheres irá representar o país, como Leticia Bufoni e Pâmela Rosa, presentes entre as dez melhores no ranking mundial.

Para mostrar um panorama atual do skate feminino brasileiro, a série documental Tô na Pista, dirigida por Renata Spitz, apresenta, em cinco episódios disponibilizados na plataforma Hysteria a partir de hoje, as histórias de mulheres nos asfaltos e pistas do Rio de Janeiro. Os episódios revelam o crescente interesse de meninas cada vez mais novas pelo esporte, seus sonhos, suas inspirações, e ainda traz aquelas dicas sobre equipamentos e modalidades para os leigos no assunto.

A diretora, que frequentou durante a adolescência lugares marcados pelo skate, numa época em que garotas praticamente não eram vistas, sentiu a necessidade de revisitar esses ambientes, discutir o assunto e tirar o esporte do clichê masculino, retratando-o pelo olhar de uma equipe também formada por mulheres.

Embora a presença feminina esteja cada vez maior e mais forte, um episódio chamou grande atenção há poucas semanas. A competição Skate Park, em Santa Catarina, premiou dois atletas numa mesma categoria, Pedro Barros e Yndiara Asp. Os vencedores, então, tiraram uma foto que circulou rapidamente pela internet: ele com um cheque de R$ 17 mil, ela, com um de R$ 5 mil.

Mesmo com todas as justificativas dadas pelo próprio evento, como quantidade de atletas e patrocínio, a discrepância entre os valores recebidos gerou muito debate. “É mais uma reprodução do que a gente vive em outros segmentos de trabalho”, diz Renata sobre a polêmica. “A premiação foi quase uma forma didática e ilustrativa para explicar a disparidade salarial que ainda existe.”

O acontecimento mostra, novamente, como o despertar de uma consciência maior é tão importante. Para a diretora, “tratando do universo do skate, a discussão é necessária porque pode mobilizar e pressionar por mudanças”.

Tô na Pista é para continuar a acreditar na força das mulheres no esporte e ter orgulho do que vem por aí. Como diz a jovem Gabriela Saes, personagem da série, em uma frase para ser repetida como mantra: “Skate feminino é união.”

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