Transpirar não é motivo de vergonha. Vamos falar sobre cecê?

Todos nós temos cheiros e eles são resultados dos nossos hábitos. Ressignificar o suor e cuidar das axilias de forma mais natural é possível e faz bem à saúde

14.08.2019  |  Por: Marcela Rodrigues

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Transpirar não é motivo de vergonha. Vamos falar sobre cecê?

Passamos a vida acreditando que o suor é responsável pelo odor, aliás, fomos ensinados que transpirar, por si só, é motivo de vergonha. Na mídia, propagandas retratam os antitranspirantes como a oitava maravilha do mundo, além de fórmulas consideradas revolucionárias (antimanchas, branqueadoras…) enquanto, na verdade, nos distanciam ainda mais das funções orgânicas do corpo.

Por isso, antes de discutir qual marca é melhor e qual tipo de fórmula é o ideal é importante refletir sobre estes padrões sociais que pautam nosso consumo e impactam negativamente na saúde, no meio ambiente e na autoestima. Paciência, desapego da zona de conforto e mudanças de hábitos são essenciais para uma transição realista. Do contrário, a frustração é inevitável.

“Impedir a transpiração é uma forma de diminuir a via de eliminação das toxinas do organismo, podendo sobrecarregar outras vias, principalmente se inibir com o uso do alumínio que, por sua vez, ainda contamina a corrente sanguínea podendo aumentar o risco de câncer e Alzheimer”, afirma a endocrinologista Alessandra Rascovski, de São Paulo.

O maior mito neste universo, talvez, seja que o simples fato de suar possa gerar o odor. E não é bem assim.  “Na verdade os aminoácidos secretados no suor ativam enzimas seletivas presentes em microrganismos que colonizam a pele, o que estimula a liberação do odor”, explica a médica.

Pasme: Não é preciso inibir a transpiração para evitar o odor.

Ainda assim, dentre os tipos de desodorante, os que impedem de transpirar são os mais procurados nas gôndolas das farmácias. Coisas da grande indústria que nos enfia padrões goela baixo. Além do perigo de inibir uma função orgânica do corpo, antitranspirantes são os que mais contém cloridrato de alumínio – ingrediente que há anos está no alvo de pesquisas como relacionado ao surgimento de câncer. Alessandra  explica que ele pode penetrar na pele e atingir o sistema circulatório. “Os estudos mostram que o uso excessivo pode influenciar na causa de câncer, desequilíbrio hormonal e doenças degenerativas”.

Outros ingredientes comuns nos desodorantes convencionais são os parabenos e o triclosan – ambos também considerados disruptores hormonais, dentre outras funções nocivas ao organismo e meio ambiente.

O cecê não é fruto do suor. E sim da proliferação de bactérias

O cheiro

O nosso cheiro diz muito sobre nosso organismo. “Suar é uma das formas mais tradicionais das medicinas primitivas de observar a saúde das pessoas. Os médicos sempre deveriam perguntar sobre as fezes, o xixi em boa quantidade e sobre a transpiração”, afirma a naturóloga especialista em ayurveda Maira Salomão.

É natural juntar toxinas no dia a dia de acordo com o que comemos e até sentimos. “Se o corpo está com algum acumulo de toxinas e elas não saem por todas as glândulas, por sorte elas podem sair pela urina, por exemplo. Se não, se instalam em alguns órgãos e, sim, isso pode levar ao agravamento de patologias”, completa.

O cheiro faz parte da existência de cada um de nós e, obviamente, varia e tem suas individualidades. “Mulheres tendem a ficar com o odor das axilas mais forte um pouco antes e durante o período pré-menstrual”, lembra Maíra.

Vale refletir:  será que um odor atípico e mais forte pode estar representando algum excesso?

Sobre cecê e estilo de vida

Quando, depois de muito tempo (as vezes uma vida inteira), uma pessoa se permite suar nas axilas, há uma resignificação dos odores. Já que todo mundo tem um cheiro. E esse cheiro muda conforme nossos hábitos alimentares, estilo de vida e emoções. Não é o suor que dá cê-cê! – o odor vem dos ácidos liberado por bactérias. Então ainda que usemos fórmulas naturais que impeçam a proliferação da bactérias, muitos hábitos podem alterar nosso cheiro.

Nesta transição mudar hábitos é essencial – inclusive para a sua relação de confiança com a alternativa que você escolher (seja uma caseira ou da prateleira verde). Cultive paciência, se observe e tenha coragem de fazer escolhas saudáveis.

Hábitos que tendem a deixar o cheiro mais forte

  • roupas sintéticas
  • estresse
  • excesso de carne vermelha
  • alimentos fortes e que esquentam como alho, pimenta, cebola, curry
  • excesso de bebida alcoólica
  • ser fumante
  • tratamentos com remédios fortes
  • embutidos e temperos industrializados
  • alterações hormonais (na dúvida, vá ao endocrinologista)

E que para ajudam a equilibrar o odor

  • usar roupas de tecidos que possam ventilar, como fibras naturais
  • lavar  as roupas uma vez com bicarbonato de sódio para desintoxicar a roupa
  • no banho, usar sabonete de argila e buchinha vegetal nas axilas
  • aliás, seque bem a suas axilas antes de aplicar qualquer produto.
  • alimentos que ajudem a digerir as toxinas acumuladas: cominho, beber muita água e água de coco
  • faça exercícios físicos. Suar é vida!

 

*Este texto foi publicado originalmente no site Naturalíssima

Marcela Rodrigues é jornalista especializada em consumo consciente e bem-estar, herbalista e entusiasta do movimento slow beauty. É autora do site a Naturalíssima, onde fala de estilo de vida sustentável e práticas de autocuidado

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