Uma diretora de cinema para cada país da Copa 2018  |  Grupo C

Conheça cineastas de Austrália, Dinamarca, França e Peru

19.06.2018  |  Por: Ligia Maciel Ferraz

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Uma diretora de cinema para cada país da Copa 2018  |  Grupo C

Já que todo mundo só pensa em Copa, aproveitamos para falar de 32 cineastas do cinema mundial. São oito textos no total, apresentando quatro diretoras de cinema dos quatro países de cada chave da fase de grupos. A seguir, quatro minas do Grupo C.

Austrália

 

 

Jennifer Kent, nascida em Brisbane, Queensland, Austrália, se formou em 1991 no Instituto Nacional de Artes Dramáticas (NIDA), na Austrália, onde iniciou seu trabalho como atriz. Desanimada com a atuação, foi após ter assistido a Dançando no Escuro (2000) que se motivou a seguir a carreira de cineasta.

Seu trabalho mais reconhecido é o filme de horror O Babadook (2014). Vencedor de 55 prêmios, conta a história de uma mãe viúva que, atormentada pela morte violenta do marido, tenta lidar com o medo dos monstros que aterrorizam seu único filho. Em entrevista ao The Washington Post, em 2015, a cineasta se posicionou sobre a falta de mulheres dirigindo filmes de horror:

“Isso vai mudar à medida que o mundo muda. Mulheres amam assistir a filmes de terror. Já foi provado, já fizeram todos os testes. Os dados demográficos são metade homem, metade mulher. E nós conhecemos o medo. Não é como se nós não pudéssemos explorar o assunto.”

Seu próximo filme, The Nightingale (que está em etapa de pós-produção), se passa na década de 1820, em uma ilha da Tasmânia, na Austrália, e trata de um período particularmente brutal da história colonial que quase aniquilou os povos indígenas da Tasmânia.

Dinamarca

 

 

Susanne Bier nasceu em Copenhague, na Dinamarca. Estudou na Academia de Arte e Design Bezalel, em Jerusalem, e Arquitetura na Architectural Association School of Architecture, em Londres, e em seguida cursou Direção de Filmes na Escola Nacional de Cinema na Dinamarca, onde se formou em 1987.

Também diretora de curtas, videoclipes e comerciais, Susanne Bier costuma fazer filmes que refletem sobre a dor e a tragédia. Seu primeiro grande sucesso comercial foi o premiado The One and Only (1999), uma comédia romântica sobre a fragilidade da vida, em que atua a atriz e também cineasta Paprika Steen.

Susanne Bier foi a primeira cineasta da Dinamarca, entre homens e mulheres, a ter duas vezes um filme concorrendo ao prêmio de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar, vencendo uma delas com Em um Mundo Melhor (2011), filme que conta a história de duas famílias que precisam lidar com conflitos que os levam a escolhas difíceis entre vingança e perdão. Com ele também venceu o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro e o de Melhor Direção no Prêmio do Cinema Europeu.

França

 

 

Céline Sciamma nasceu em Pontoise, Val-d’Oise, na França. Formada na escola de cinema francesa La Fémis, tem seu trabalho considerado formalista embora se relacione também com as características do primeiro cinema francês.

Conhecida por trabalhar com não-atores, costuma abordar em seus filmes temas como fluidez de gênero e identidade sexual entre adolescentes e pré-adolescentes, já tendo trabalhado inclusive para o governo em uma campanha contra a homofobia com o curta Pauline (2010).

Seu filme de estreia, Líridos D’água (2007), foi selecionado para a mostra Un Certain Regard, do Festival de Cannes. Tomboy (2011), vencedor no Festival de Berlim, foi escrito e filmado em poucos meses e conta a história de Laure, uma garota de dez anos nova no bairro que, ao conhecer os novos vizinhos, se apresenta como um garoto, Mickäel.

Peru

 

 

Claudia Llosa nasceu em Lima, no Peru, e se formou em Comunicação pela Universidade de Lima. No fim dos anos 90 se mudou para Madri, na Espanha, onde estudou no Centro Universitário de Artes TAI. Ao final dos estudos ela começou a trabalhar no seu primeiro filme, Madeinusa (2006).

Com A Teta Assustada (2009), em que assina roteiro e direção, venceu o prêmio mais importante no Festival de Berlim, o Urso de Ouro, e pela primeira vez teve o Peru concorrendo ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. O filme conta a história de Fausta, uma mulher que sofre de uma doença rara transmitida através do leite materno e canta canções faladas em quíchua, língua indígena dos peruanos, para ajudar a lidar com o luto após a morte da mãe.

Em entrevista à Vice, foi perguntada se há uma identificação com as personagens que escreve, sempre lutando para não serem vítimas:

“Acredito que, em certo sentido, há uma perspectiva feminina clara e profunda para a criação de personagens que é orgânica e casual. Algo se liberta depois de carregar uma história passada ou uma situação de caráter específica. Para mim, é uma força sedutora e esmagadora. Às vezes essa força mostra sua fragilidade. A força pré-concebida não está no personagem. É uma força que é puramente interior, muito interna, muito escondida, e vai se encarregar do personagem à medida que o filme avança, para melhor ou para pior.”

 

Ligia Maciel Ferraz é escritora radicada em Atenas, na Grécia. Formada em Comunicação Social – Cinema e Vídeo pela Unisul, em Florianópolis, escreve sobre feminismo, cinema e literatura. Confira seus textos aqui 

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