Uma diretora de cinema para cada país da Copa 2018  | Grupo G

Conheça realizadoras de Bélgica, Inglaterra, Panamá e Tunísia

27.06.2018  |  Por: Ligia Maciel Ferraz

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Uma diretora de cinema para cada país da Copa 2018  | Grupo G

Continuando a série que apresenta diretoras mulheres de cada país dros grupos da Copa do Mundo, vamos agora para o Grupo G.

Bélgica

 

 

Chantal Akerman nasceu em Bruxelas, na Bélgica. Decidiu que iria fazer filmes aos 15 anos, após assistir a O Demônio das Onze Horas (1965), de Jean-Luc Godard. Aos 18, desistiu do curso de cinema logo no início para realizar seu primeiro curta, Exploda Minha Cidade (1968).

Conhecida pelo seu cinema experimental, a obra mais relevante de sua carreira é Jeanne Dielman (1975), realizada quando tinha 25 anos e considerado até hoje um dos filmes mais feministas, revolucionando o retrato da mulher e o desejo feminino na tela. O filme mostra três dias da vida metódica e disciplinada de uma viúva que vive com seu filho e divide a rotina entre os afazeres domésticos e o trabalho como prostituta.

Apesar de ter falecido em 2015, deixou uma filmografia bastante variada que permeia entre temas sociais, como nos documentários Do Outro Lado (2002), em que dá voz à questão dos imigrantes mexicanos ilegais; Do Leste(1993), que se aproxima da vida no Leste Europeu após o fim da União Soviética; e temas mais pessoais como News From Home (1977), em que registra a cidade de Nova York enquanto lê cartas escritas por sua mãe durante o tempo em que morou lá; e também Não é um Filme Caseiro (2015), seu último filme, onde acompanha a rotina de sua mãe já em idade avançada.

Inglaterra

 

 

Andrea Arnold nasceu em Dartford, Kent, na Inglaterra, e estudou no AFI Conservatory, em Los Angeles. Iniciou sua carreira como atriz, mas há mais de 20 anos se dedica a dirigir e escrever filmes.

Conhecida por trabalhar com não-atores em histórias intensas protagonizada por mulheres, foi premiada três vezes pelo júri popular no Festival de Cannes, com Marcas da Vida (2006), sobre uma operadora de segurança que observa através do monitor um homem de seu passado; Aquário (2009), que mostra uma adolescente agressiva tendo uma amizade incomum com o novo namorado de sua mãe; e American Honey (2016), um road movie sobre uma garota vinda de um lar disfuncional que se junta a um grupo de jovens de passado semelhante ao dela para viajar pelos Estados Unidos vendendo assinatura de revistas.

A cineasta também trabalhou em séries de TV, dirigindo episódios de Transparent (2014 — ), I Love Dick (2017) e, mais recentemente, a segunda temporada da premiada série da HBO Big Little Lies (2017 — ), prevista para estrear em 2019.

Panamá

 

 

Pituka Ortega Heilbron estudou História e Ciências Políticas na Universidade Immaculata, nos Estados Unidos.

As questões sociais, culturais e das mulheres recebem atenção especial em seus filmes, como no caso do curta Sacrifictum (1999), que trata do abuso doméstico; e também do documentário El Corazón de las Mujeres de Piedra (1998), um vídeo comissionado pela ONG Fundamujer, que trabalha pelo empoderamento e direito das mulheres do Panamá, e na qual anos mais tarde a cineasta se tornou um membro ativo.

Em 1994, participou de uma oficina de roteiro em Cuba com o escritor Gabriel García Marquez, e no mesmo ano foi corroteirista e coprodutora do curta Índia Dormida (1994), que conta a história de um menino que queria fazer filmes em um país como o Panamá.

Histórias do Canal (2014), disponível na Netflix, é um drama com cinco curtas ao longo de um século sobre vidas abaladas pelo Canal do Panamá, no qual a cineasta é a diretora do segmento de 2013.

Tunísia

 

 

Leyla Bouzid nasceu em Túnis, na Tunísia. Após concluir a faculdade, se mudou para Paris, onde estudou Literatura Francesa na Universidade Paris-Sorbonne e, mais tarde, Direção de Cinema na La Fémis.

É diretora e roteirista dos premiados Soubresauts (2012), disponível no Vimeo, e Zakaria (2013), sobre um homem que mora com sua família em uma aldeia no Sul da França e decide ir para a Argélia após saber da morte de seu pai.

Seu longa de estreia foi As I Open My Eyes (2015). Premiado em diversos festivais, conta a história de uma jovem tunisiana que luta contra os desejos de sua família e tenta seguir uma carreira de cantora, vivendo uma vida independente pouco antes da Revolução de Jasmim no país, em 2010.

Em entrevista ao IndieWire, em 2016, contou sobre o que a atraiu para filmar essa história:

“Quando a Revolução (Jasmim) aconteceu, o desejo de filmar e documentar esse período foi muito forte. Muitos documentários foram filmados então  — todos cheios de esperança, todos focados no futuro. Eu também queria muito filmar. Não a revolução, mas o que todo mundo viveu e a que foi submetido: a vida cotidiana sufocante, o poder total da polícia, a vigilância, o medo e a paranóia do povo tunisiano nos últimos 23 anos.”

Nessa mesma entrevista, contou que seu filme favorito é Os Silêncios do Palácio (1994), dirigido pela também tunisiana Moufida Tlatli, no qual admira o belo e poderoso retrato de mãe e filha. O longa também registra um período histórico, neste caso a revolução que levou à independência da França.

 

Ligia Maciel Ferraz é escritora radicada em Atenas, na Grécia. Formada em Comunicação Social – Cinema e Vídeo pela Unisul, em Florianópolis, escreve sobre feminismo, cinema e literatura. Confira seus textos aqui 

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