Uma diretora de cinema para cada país da Copa 2018  | Grupo H

Conheça realizadoras de Colômbia, Japão, Polônia e Senegal

28.06.2018  |  Por: Ligia Maciel Ferraz

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Uma diretora de cinema para cada país da Copa 2018  | Grupo H

Continuando a série que apresenta diretoras mulheres de cada país dos grupos da Copa do Mundo, seguem os nomes do Grupo H.

 

Colômbia

 

 

Ana Maria Hermida nasceu em Bogotá, na Colômbia, e estudou na Escola Internacional de Cinema e Televisão, em Cuba, e na Escola de Artes Visuais em Nova York.

Cineasta independente, dirigiu, escreveu e produziu El Elefante Rojo (2009), sobre uma jovem prostituta que se apaixona pelo seu primeiro cliente. O curta foi sua tese de graduação e teve inspiração no livro Memórias de Minhas Putas Tristes, do também colombiano Gabriel García Márquez.

Em entrevista ao Mowies, a diretora diz que a ideia de The Firefly (2013), seu primeiro longa, disponível na Netflix, surgiu de sua obsessão pela possibilidade de contar uma história sobre um luto diferente e cheio de amor, após ela mesma ter vivido um processo obscuro e desolador depois da morte inesperada de seu irmão mais novo.

Ao IndieWire, em 2016, contou quais foram suas principais influências estéticas para criar o filme:

“Colômbia, meu país. Estamos acostumados a ver coisas horríveis sobre ele, mas a Colômbia é realmente bonita. Eu queria mostrar isso. Villa De Leyva, por exemplo, é uma das minhas cidades coloniais favoritas, a três horas de Bogotá, a cidade em que nasci e cresci. (…) No que diz respeito aos cineastas que me inspiram, eu amo Jean-Luc Godard, Lucrecia Martel, Claudia Losa, Spike Jonze, Miranda July, para citar alguns.”

Japão

 

 

Naomi Kawase nasceu em Nara, Japão, e estudou na Escola de Artes Visuais em Osaka.

Seu cinema contemplativo com ares autobiográficos permeia entre a ficção e o documentário, e muitas vezes é inspirado pela paisagem rural da cidade onde cresceu e sua turbulenta história de abandono familiar.

Seu trabalho, geralmente filmado em locações e com atores amadores, reflete o íntimo em temas como a tradição, o luto e o vínculo familiar, como no caso de A Floresta dos Lamentos (2007), vencedor do prêmio do júri no Festival de Cannes, sobre uma a cuidadora de uma casa de repouso que leva um de seus pacientes para uma viagem em que os dois acabam se perdendo na floresta.

A série de curtas Women’s Tales, projeto patrocinado pela marca de roupas Miu Miu, celebra o cinema feito por mulheres desde 2011 e teve seu décimo primeiro curta dirigido por Naomi Kawase. Seed (2016), disponível no site da marca, acompanha uma garota entre a natureza de Nara e o caos de Tóquio e os encontros que ela tem pelo caminho.

Polônia

 

 

Malgorzata Szumowska nasceu na Cracóvia, na Polônia. Estudou História da Arte na Universidade Jaguelônica antes de estudar na Escola Nacional de Cinema de Łódź.

Trabalha com temas que questionam o comportamento da sociedade atual, especialmente a polaca, como é o caso de W imie… (In the Name of, 2013), premiado no Festival de Berlim. O filme aborda a homossexualidade na igreja católica por meio da história de um padre gay na Polônia rural que reconhece que sua entrega ao sacerdócio foi uma fuga de sua própria sexualidade.

Em Twarz (Mug, 2018), um jovem da construção civil, após um terrível acidente, passa por um transplante de rosto que o deixa irreconhecível. Para a diretora, essa é uma metáfora interessante: um homem que perde sua identidade por ser rejeitado pela sociedade que não o reconhece mais.

Seu próximo filme é a primeira coprodução entre Polônia e Marrocos. Chama-se All Inclusive, é todo sobre mulheres e terá um elenco quase inteiramente feminino e não profissional.

Senegal

 

 

Safi Faye nasceu em Dakar, no Senegal. Estudou na Escola de Cinema Louis Lumière, com doutorado em Etnologia pela Universidade de Paris, e se dedicou a fazer filmes com foco na vida rural do Senegal.

Com Kaddu Beykat (1975), tornou-se a primeira mulher subsaariana a fazer um filme comercial distribuído no exterior. Embora premiada, a produção foi banida em seu próprio país.

Seu primeiro curta, em que também atua, foi La Passante (1972), feito a partir de suas experiências como mulher estrangeira em Paris. O filme é sobre uma mulher que caminha pela rua e observa as reações dos homens à sua volta.

Mossane (1996), seu último trabalho lançado, conta a história de uma garota de 14 anos que se vê obrigada por sua mãe a se casar com o homem a quem foi prometida no dia do seu nascimento, mesmo estando apaixonada por outro rapaz.

Em 2010, quando foi homenageada na 32ª edição do Festival Internacional de Cinema Feminino, falou sobre a linha tênue entre documentário e ficção:

“Depois de ter completado Mossane, ainda não estou convencida de que fiz um filme de ficção, porque minha imaginação vem do que vivi, os valores que foram incutidos em mim, a educação que me foi dada. E acho que para um africano é muito difícil colocar um limite entre a ficção e o documentário.”

 

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